Matemática e Teatro


Imagine uma peça de teatro em que cada ato tenha nomes nada convencionais, como Oh! Sujeito Quadrado, Triângulo Amoroso, Um Círculo Vicioso, Tem que andar na linha e Ponto Finalmente.


Qualquer semelhança com as aulas de Matemática não é mera coincidência. Os atos com nomes estranhos fazem parte da peça "De ponto em ponto formamos...", concebida pelo Projeto Matemática & Teatro - da Construção Lúdica a Formalização, criado pelo professor João Batista do Nascimento, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A ideia surgiu porque João do Nascimento percebeu a possibilidade de abordar conceitos da disciplina de forma menos burocrática e enfadonha. Assim, a solução encontrada foi adequar os conceitos da disciplina a uma forma lúdica de aprender.


Em declaração jornal brasileiro Tribuna de São Paulo, João do Nascimento afirma que "é inconcebível que uma criança estude Matemática durante doze anos e ainda se sinta amedrontada diante de uma raiz quadrada", reforçando a necessidade de implantação de sua idéia: "um dos erros cometidos pelos educadores é não pensar em adequar os conteúdos a uma forma mais simples da criança aprender. Por isso é que cada espetáculo é essencialmente construído pelo aluno. Eu os considero portadores e executores natos do lúdico".

Os participantes e personagens da peça foram alunos da 4.ª série do Ensino Fundamental, participantes do projeto de extensão da UFPA. Os resultados observados foram animadores, o que confirma a facilidade das crianças em aprender através de brincadeiras. Segundo o professor, "as crianças nunca têm problemas em absorver as novidades. Nós é que, na maioria das vezes, não nos preocupamos em inventar novos métodos".

Para criar uma peça de teatro dentro dos conceitos da disciplina, o professor explica que é necessário que os alunos pesquisem, estudem e se identifiquem com o tema.


Depois, com o auxílio do professor, serão elaborados os diálogos. Ao final de cada apresentação, _e possível constatar uma mudança positiva nos estudantes. Segundo o professor Nascimento, "no final a criança não vai apenas repassar os conhecimentos para um papel frio de prova, mas irá defender o seu saber com todos os recursos e emoções que estejam disponíveis".

http://www.educacao.te.pt/geral/index.jsp?p=16&idNoticia=3425 , 2004-09-06


Fundamento Histórico e Aspecto Metodológico do Uso do Teatro no Ensino da Matemática

Nem só semelhança física guarda o teatro e a sala de aula. De fato, a aula nasceu bem antes deste aprisionamento e quase confinamento que hoje esta encerra, nos palcos da mais remota antiguidade.

Não existe nenhum indício serio que aponte qualquer defasagem, guardando-se as devidas proporções, e isto exige um bom conhecimento matemático, em termos de eficiência educacional, entre a forma inicial de ensino, a teatral, e a atual.

Por ser a aula ao ar livre, só assistia quem quisesse aprender, enquanto hoje são gastos recursos preciosos para obrigar. Assim, sacrificamos liberdade das nossas crianças em troca de quase nada.

E mesmo que fosse por tudo, nunca deveria ocorrer: educação só começa quando a plenitude da liberdade é conquistada.

O registro que dispomos do uso do cênico no ensino da matemática, após consolidar-se na história da educação esta diferenciação entre teatro e sala de aula, é o trabalho da monja Rosvita de Gandersheim, do séc. X , ao produzir e montar a peça Sabedoria, a qual foi traduzida no trabalho do Professor da USP Luiz Jean Lauand.

A nossa metodologia consiste em trabalhar e pesquisar em grupo para identificar, entender e promover a aprendizagem dos elementos e conceitos de matemática, bem como os temas transversais.

Realiza-se simultaneamente, sessões de leitura, exposições, discussões, socializações dos saberes, reconstruções de diálogos e adaptações, que levará em conta o contexto do educando, o público alvo da apresentação, o rigor dos conceitos matemáticos e o aprofundamento da aprendizagem. Além da pesquisa em matemática para ampliações e generalizações.

Uma proposta de peça

Autor: Nascimento, J. B.
Título: De Ponto em Ponto Formamos...
Tema - Elementos da Geometria Plana.
Objetivos - Disseminar os conceitos básicos da geometria plana e temas transversais.

ATOS
01 - OH! SUJEITO QUADRADO;
02 - TRIÂNGULO AMOROSO;
03 - UM CÍRCULO VICIOSO;
04 - TEM QUE ANDAR NA LINHA;
05 - PONTO FINALM E N T E;

INÍCIO

Narrador - No reino da matemática, lá no canto da geometria, moram numa folha de papel, muitas figuras interessantes. Algumas delas vieram se apresentar, brincar e conversar. Começando com o Quadrilátero!

ATO 1 - Aparece a faixa com os dizeres: OH! SUJEITO QUADRADO!

Entra o quadrilátero, explica quem é ele( fig.1), falando dos seus elementos principais (vértices, lados, ângulo, diagonais), de alguns membros da família ( Retângulo, Losango, Quadrado, Trapézio, Dardo e Cometa - fig. 1, 2, 3 e 4 ) e suas características particulares (por exemplo, um quadrado possui todos os lados congruentes e todo o ângulo interno reto). Mostra que todo quadrado _e retângulo,
mas existem retângulos que não são quadrados. O que é perímetro, área e como calculá-los.

Apresenta os jogos que tiver, tipo quebra-cabeça, feito de quadriláteros, TANGRAN, por exemplo.

Faz com que a plateia leia a frase OH! SUJEITO QUADRADO e discute o sentido. Diz
que não concorda, pois, dentre todos da família o quadrado é o mais certinho.

- Minha família já foi muito importante - diz emocionado acariciando e exibindo a fig. 5

– os carros de hoje bem que poderiam ser de outra forma. Pelo menos, não haveria tanto engarrafamento!

Fala que o processo de reprodução também está presente na geometria, pega um quadrilátero, dobra-o pela diagonal ( certamente já picotado nesta ) e rasgando exibe dois triângulos. apresenta-o e o faz entrar no palco.

Teatro

ATO 2: Aparece a faixa com do dizeres: TRIÂNGULO AMOROSO

- Depois vamos conversar direitinho desse negócio de que somos um dos seus rasgado - diz o triângulo ao quadrilátero. E, dirigindo-se para a plateia ( o quadrilátero continua em cena, inclusive ajudando o triângulo. E assim será com todos os outros), explica o que _e triângulo e seus membros quanto aos lados ( Eqüilátero, Isósceles e Escaleno ) e ângulos ( Retângulo, acutângulo e obtusângulo ). Exibe casos de triângulos retângulo, isósceles e escalenos e fala que não existe nenhum triângulo retângulo eqüilátero, pelo fato de que um eqüilátero possui todos os ângulos
iguais a 60º, portanto não podendo ter nenhum igual a 90º para ser retângulo.

- Vou lhe mostrar um membro da família que é brilhante, principalmente a noite - diz o triângulo ao quadrilátero e exibindo um triângulo luminoso, fig. 6.

- Para que serve isso! - Exclama o quadrilátero.

- Já deu pra vermos que de carro tu não entendes nada quadrilátero - Diz o triângulo - Oh! bicho quadrado!

- Não ofende - diz o quadrilátero.

- Venha cá - diz o triângulo - vou te ensinar. Faça de conta que você é um carro - e colocando o triângulo luminoso no bolso traseiro do quadrilátero - e eu o motorista - coloca as mãos nos ombros do quadrilátero. Os dois andam pelo palco, com o quadrilátero fazendo o som de carro e o triângulo como estivesse dirigindo.

- Deu o prego! Não se mexa - Diz o triângulo, fazendo o gesto de descer do carro e ficando atrás do quadrilátero.

- Não pode se mexer - diz o triângulo insinuando para a plateia que irá mexer no traseiro do quadrilátero.

- Olha o que tu vais fazer! - Diz o quadrilátero.

- Ora essa! - diz o triângulo - eu tenho que abrir a traseira do carro para tirar o triângulo.

- Se você meter a chave - diz o quadrilátero - eu lhe dou umas "bolachas".

- Ta bom! - diz o triângulo tirando o triângulo, se afastando e abanando o nariz - Tu imitas muito bem um carro. Mas, precisava ser a álcool?

- Quando o carro da o prego- diz o triângulo - coloca-se o triângulo longe da traseira do carro para que os outros motoristas percebam com bastante antecedência que o carro está no prego ou se houve algum acidente. Devendo o motorista que vier na estrada diminuir a velocidade, pois outro pode está atrapalhando o trânsito ou precisando de ajuda.

Teatro- Pelo que contam meus ancestrais - diz o triângulo dirigindo-se ao quadrilátero - foram dois triângulos que se juntaram formando um quadrilátero e da sua família (faz o movimento de juntar dois triângulos formando um quadrilátero).

- Posso ver, amigo quadrilátero - continua o triângulo irônico - o retrato da carrocinha que você guarda com tanto carinho. E mostrando as rodas da carroça, fala que irá trazer ao palco o sujeito que desempregou a família dele e apresenta o CÍIRCULO.

ATO 3 - Aparece a faixa: CÍRCULO VICIOSO

(estudar um gesto vicioso circular para a personagem. Pode ser ficar circulando o dedo como estivesse discando)

O círculo apresenta-se e define o que é centro, raio e diâmetro. Explica que não tem lado como os outros e que na família todos têm a mesma aparência só mudando o centro e o raio, o que é disco, o Pi, como calcular perímetro e área de círculo, o que são círculos concêntricos e alguma história envolvendo o círculo.

- Ou quadrilátero - diz o círculo dirigindo-se a este - poderias nos mostrar novamente a carroça.

- Estou começando a desconfiar que eles estejam fazendo hora comigo - fala o quadrilátero para a plateia, exibindo a figura, enquanto o triângulo ri.

- Veja - diz o círculo - como uma viagem numa carroça desta demorava muito, sobrava muito tempo para ficar olhando o sol... a lua... tudo redondo. Para tirar você daí não custou muito.

- E por falar em sol... lua..- diz o círculo - eles nunca vêm até nós. Mandam seus raios. Isto lembra o nosso amigo SEGMENTO. Nisto entra a personagem.

ATO 4 - Aparece a faixa: TEM QUE ANDAR NA LINHA

(A personagem tem que andar reto) Define o que é reta, semi-reta e segmento. Diz que os outros são na verdade irmão seus que se uniram. Faz o triângulo e quadrilátero com segmentos.

- Ah! Mas não eu! - Diz o círculo.

- Eu não vou fazer aqui, compadre círculo - diz o segmento, como fosse dobrar-se - por está muito velho. Veja! Dobrando um segmento de material flexível e formando um arco.

- Quando nos entortamos na forma de círculo - diz o segmento - recebemos o nome de arco. E inclusive temos muitas aplicações - exibindo um "arco" de flecha e mostrando o arco e segmento.

- Se juntarmos membros de minha família - fala o segmento e pedindo um dardo (_g.2) ao quadrilátero - com arcos da família do círculo e membros da família do quadrilátero, teremos um arco e uma flecha. Uma arma poderosa dos nossos indígenas. (sai correndo atrás dos demais como fosse "flechá-los").

- Veja - continua o segmento - que o triângulo tem três cantinhos e o quadrilátero quatro e eu dois (mostrando). Eles chamam os seus cantinhos de vértices e eu de vértice ou extremos. E, Por falar deles, eu apresento o amigo PONTO. Nisto entra a personagem.

ATO 5 - Faixa: PONTO FINAL M E N T E

TeatroEnquanto a personagem ponto adentra, percebe-se que o quadrilátero movimenta-se como estivesse indo embora.

- Onde estais indo? - diz o triângulo ao quadrilátero. - Num já é ponto final - diz o quadrilátero.

- Oh! Sujeito quadrado! - diz o círculo e puxando o quadrilátero de volta.

- Nisto, o círculo deixa cair do bolso, desenhos de figuras inscritas no círculo (dentro do círculo fig.7) para que o triângulo veja.

- Compadre triângulo! - fala o quadrilátero em pânico, acusando o círculo de escondendo-se por trás do triângulo - ele engoliu nossos irmãos!

- Calma lá amigo quadrilátero - Diz o triângulo, tentando acalmá-lo - que isto não é nada estranho.
Veja! (mostrando a fig. 8 - figuras circunscritas ao círculo/ o círculo por dentro da figura)

- Valei- me compadre - fala o quadrilátero, mais assustado ainda - somos nós agora que estamos comendo o círculo! Este canibalismo vai acabar com todos nós.

- Nada disso - diz o ponto e explica o que é inscrito e circunscrito e fala que em alguns casos é preciso haver certa relações para que isto ocorra. Menos para o triângulo, o qual sempre terá um círculo que o inscreve e um outro que o circunscreve.

- Oh! Amigo quadrilátero! Somos de paz - diz o círculo.
Veja, (mostra-lhe a fig.9 ) nossas famílias unidas formando um importante sinal de trânsito: PERMITIDO ESTACIONAR.

- É mesmo - diz o triângulo e mostrando fig. 10 - e com o segmento o sinal de PROIBIDO ESTACIONAR. - E, também este - diz o segmento, mostrando fig. 11 - de PROIBIDO PARAR E ESTACIONAR.

- Calma lá segmento - diz o quadrilátero - tu parece mais um político, empregando toda tua família.

- Amigos! - diz o ponto explicando o significado de cada uma das placas de trânsito.
- o segmento tem razão. Terminada a explanação, as cortinas começam a descer e todos cantam

MÚSICA

De ponto em ponto formamos segmentos,
Que formaram figuras
E quero lhe dizer...
Que todas são importantes
E que é bom você conhecer.

figuras


Autoria : Prof. João Batista do Nascimento

UFPA/ICEN/ Fac. Matemática

http://lattes.cnpq.br/5423496151598527

www.cultura.ufpa.br/matematica/?pagina=jbn

Email: jbn@ufpa.br / joaobatistanascimento@yahoo.com.br

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